Beije-me três vezes apenas; e queira, para sempre, outras tantas mil; orelha, canto da boca (nosso detalhe preferido) e olho: beije-me mil vezes e me queira a cada suspiro.
Dê três passos ousados; coloque a mão nos meus incômodos; queira respirar comigo o meu mesmo ar carregado de todo dia de tristeza; acompanhe-me nas perturbações e aperte sempre, com força, alguma parte minha que esteja morrendo. Quando não for possível a proximidade física leve meus pedaços e os faça acreditar em sentimentos leais; lamba-os e molhe-os com seus líquidos: molhe-os com a língua, lamba-os com os olhos, sinta-os com o sexo; faça-os com a sua verdade. Depois os devolva e revigore minhas crenças num amor que dure mais que quize dias.
Entenda que só pinto os sinais de quem eu gosto; enrugue a testa, entreabra um dos olhos e pergunte “como?”; a resposta virá ligeira: “De um sinal qualquer, no corpo de quem eu gosto, eu faço flores azuis, com caule e folha; “E a raiz?”; “A raiz vem do fundo do peito de quem ama”. Entenda meus desenhos, e peça-me que pinte você em você; do seu sinal preferido farei você-preferido-pra-mim; você tranforma-se em dois: bem-me-quer, mal-me-quer, numa só pessoa: “É que você, Raimundo, é para ser devorado em uma refeição, com coca-cola de dois litros”.
Eu entendo. Respeito e começo a partir meus pedaços; entrego os melhores, porque os piores precisam receber um tempero qualquer para deixar de ser um pedaço qualquer; não, não sou um pedaço melhor que o de ontem; sou almoço de ontem para o jantar de amanhã. Não ou sim?
Pronto: dúvida é meu tempero.
Então: descubra a cozinha perfeita para preparar este jantar-Raimundo; prepare os talheres; sente-se com elegância, levante a cabeça com dignidade disfarçada de canibal moderno e sirva-se. No entanto, prepare-se para a indigestão mais estranha de sua vida; porque, uma vez no seu interior, de vísceras de um lado, de sonhos do outro, eu repetirei tanto o seu nome, que, de novo, será dois de você em você; e eu nem existirei mais; virarei excremento, e sairei pela retaguarda, fazendo careta de nojo voluntário.
Você descobre que a coisa mais linda do mundo é gostar de um homem comum como eu; que adora que eu pinte o mundo com meus exageros e gosta quando eu preparo uma gargalhada que faz você explodir de tanto querer bem.
Resolva, então, de modo agradável, sentar-se na cozinha escolhida e pedir para que eu prove o melhor e o pior de você: cumplicidade com excessos, sem medo de engordar a vida de tanto amor. Eu provo; tiro lascas imprecisas, sem medo. Com educação, elogio o sentimento que provei por último, como sobremesa: imensidão de verdade.
Depois de saciados, beijados nos olhos, no pescoço e no esconderijo do canto da boca, sem mais fenômenos carnívoro-apaixonados, assumimos o compromisso de nunca mais comer outra carne que não seja a nossa.
Para sempre carnívoros do amor um do outro.
(TEXTO ESCRITO EM 20.04.2009)
Amanhecendo à meia-noite.
Os olhos castanhos-tortos brisados. Dois botões de Liga-Desliga. Entra e Sai da Minha Vida. Ou eram olhos chocolate glacê, distantes, escorrendo melancólicos, para me matar de overdose. Eu me entregaria à extravagância de saborear até o fim suas expressões dulcificadas. Eu só queria a certeza do compromisso.
Parou do outro lado da rua.
A espera.
Que eu dissesse importâncias e adjacências sobre minha carência, e desse um desconto razoável sobre sua autossuficiência. Eu poderia ter assegurado minha qualidade de futuro bom marido, de perfeito ex-namorado, de atual compromisso quase eterno; e que carrego uma aliança presa ao colar de ouro. Porque não é tão difícil ou incômodo carregar um compromisso no peito.
Trago sonhos carregados em amuletos e pedaços de relacionamentos que nunca existiram realmente. Eu estive no banco de reserva por dez anos; os outros dezessete, experimentei num campo de concentração dos anseios de mamãe.
Os desejos se manifestam no próprio corpo, e no sentido furioso que isso adquiriu pra mim. O nariz escorrendo. Um rebolado discreto, ofendendo alguns parentes. Meus olhos caídos, preocupados com as pistas que deixo escorregar por aí sobre quem realmente não sou, ou o que não trago no brilho dos olhos querendo compromisso.
Eu queria ter gritado daquela posição meus sons de amor, para que ele entendesse como seria minha busca quando eu estivesse pensando em desistir. Gritar alto, sem esperar que algum atropelo ocorresse..
O amor só vem a 200km/h.
Eu gostava daquilo: de ver alguém me esperando. A espera alvoroçava minha falta. O pé batendo sem ritmo no chão, promovendo movimentos na pequenez da terra em detalhes inanimados. E eu esperando, esperando que aquilo – arrumar-se calmamente, batucar com os pés grandes na terra – fosse uma declaração de amor. TUM TUM TUM TUM TUM. Agora eu perguntaria pra você, com minha adultice carregada de adolescência-conteúdo-frágil: Adivinha se o som ouvido nesse instante é do meu coração rompendo as fronteiras da racionalidade frígida ou é a plasticidade de seu tênis gasto encontrando-se com alguma verdade poeirenta?
Ele só precisava fazer uma leitura dos meus sinais, os corporais e os de fumaça. Uma leitura afetiva.
Limpei os dentes com a língua dezenas de vezes. Mordi os lábios milhares de outras vezes. Piscava rapidamente, tremelicando a vontade de ver seu aparecimento e desaparecimento ali na minha frente; ver sua tolerância sumir e retornar mais necessário e simplesmente dependente da vontade de meus olhos, do meu coração que espera do outro lado da rua.
Eram necessários alguns passos. Era apenas o outro lado da rua e nós. E também um cachorro com cara de palhaço, um casal trajando um Estilo Mais É Sempre Mais, um velho escrevendo em um pedaço de jornal, um bebê coberto por uma nuvem carregada de nicotina e negligência materna, e uma top model engordando sua insegurança com um sundae em um Sun Day. Não era, portanto, difícil chegar até mim. Sempre se consegue driblar o cotidiano quando o amor está em questão. Ou não? Ele não estava no Japão. Seis passos, ou sete, ou dois pulos, e a clara disponibilidade para me aceitar, e pronto.
Não sustentei em momento algum uma proposta de morarmos juntos. Mas poderia ser. Meu coração estava morando na ponta da língua para assumir essa quase necessidade. Dividiríamos as responsabilidades. Espalharíamos sofás pela casa. Para o amor sempre se sentir um visitante agradável, bem-vindo, daquele tipo que nos deixa feliz com sua grandiosidade radiante, mas está prestes a partir a qualquer hora.
Cada um no seu canto de mundo, num lado da rua. Os sentimentos usando disfarces. Olhos membranosos, escondidos.
Éramos dois hidrantes coloridos. Alguns vazamentos. Ninguém se moveria até que uma inundação acontecesse.
As pessoas passavam sem nos observar. Faziam burburinho que não alterava a ordem do desejo. Eu vestido de futuro; ele cheio de feridas do passado, esperando um bonde chamado O Homem Que Não Me Quis.
Na internet era mais fácil. Mesmo que se suspeitasse de uma irritação fruto podre de mal entendidos e erros de pontuação, preferia acreditar que as palavras digitadas em negrito eram a pura e magnética intensificação de sentimentos verdadeiros. Na internet dava para reavaliar o tal do amor que nasceu outro dia antes do enter.
Mastigava alguma coisa. Mastigava a certeza de que não seríamos um casal de fim de tarde de sábado à beira-mar; que rapidinho eu me quebraria em vinte pessoinhas insuportáveis para tentar a qualquer custo consolar seu dia-a-dia, acalentar sua dor em meu colo, que eu amadureceria sozinho num relacionamento que existe suficiente apenas no meu peito e na mágica do amuleto que inventei. Que sou pequeno e destrutível. Que sou grudento e comestível. Que sou insolúvel em sua mistura de amor-perfeito.
Eu: o amor até o fim. Ou a eterna possibilidade a cada novo dia.
Coisas que ganhei ao completar 27 anos, no dia 13.10.2009:
30 beijinhos (o doce) de uma prima-princesa, e dezenas de beijos de verdade. Quatro comemorações das pessoas mais importantes da minha vida! Hermann Hesse na minha cabeceira! Depoimentos amorosos! E uma aliança! E uma vida inteira de felicidades! ____________________________________________________________________
WALTHER MOREIRA-SANTOS
NESTA DATA QUERIDA
Toquem bandas
E fanfarras
Espoquem fogos
De artifício
Eis o porquê
De o dia de hoje
Nascer
Tão bonito!
Passando para meu carinho poético. Tudo de bom, belo e verdadeiro!
Alex: Queridão, nem acreditei quando li 27! Tu tá bem conservado, hein?! hahaha
Sério, achei que tivesse uns 23, 24. O_o
Mas aqui: quero sempre o melhor pra ti, quero ler teus livros, quero que alcance as livrarias porque tua escrita além de linda, é do caralho e merece ser divulgada. Manda pedaço de bolo, uma língua-de-sogra e alguns confetes, okay?
Beijão!
João.: Tentei falar com vc. Liguei no sabado mas seu cel estava desligado. Agora passo aqui e deixo meus parabens. E que da prox vez q estiver por aqui me ligue pra nos ver e jogar conversa fora.
NetoXXX, vc é especial!
Felicidades.
º° D' Rego: FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!!!!!
Mais uma vez expresso meu desejo de muita saúde e felicidade para vc.
Este é só o início de uma longa caminhada juntos.
Ahhh, depois quero saber como foi aí em Batalha o último dia de Neto Fest... rs.
Um forte abraço...
Paulo César: ops bom dia sir psicologoooooo
Ah!!! vc que faz niver e agente q ganha o presente, em te-lo por perto!!!
meu filho...tudo de bom pra vc...
que Deus te abencoe sempre..te ilumine...
..muita paz, sucesso, saude e muito amor!!!
abração e parabens...
♥♥♥Juliana: oiiii, parabéns!
tu já sabe q eu desejo td de bom pra ti, q torço sempre pela tua felicidade e sucesso, q amo tua amizade, q te admiro d++++, q kero ser tu qnd eu crescer...
e tb já sabe q eu te amo, mas nao custa nada repetir:
te amoooooooooooooooooooooo d+++++
obrigada pela tua amizade!
seja feliz!!!!!!!
thayse: parabens
desejo a voce saúde, perseverança,paz e alegrias!que bom conversar com voce e ficar perto de uma pessoa que faz da vida uma certeza de vitorias suadas literalmente e bom humor para lidar com ela!
boa sorte e sucesso
bjs
Pollyana: Meu príncipe maravilhosoooo...afe até q enfim consegui entrar p te dar Parabéns!!!!
te desejo o q há de melhor nessa vida pq eu te AMO, tá sempre no meu coração de buraquinho...kkkkkkkkkkkkkkk!!!
Vc eh uma pessoa especial, um terapeuta nota 1000, homem perfeito da porra!!!huhauhauhauhauhauhauha
bjooooo
Ana: Netooooooo PARABÉNS!Que esse novo ano venha transbordando de felicidades,saúde e muito sucesso profissional e acima de tudo, que venha repleto de inspiração para mais um milhão de palavras bonitas e textos emocionantes...Sou sua fã de carteirinha (da pessoa,do escritor e do psicólogo) e torço sempre por ti!
Então...Que seja doce...O seu dia hoje e todos os outros que ainda estão por vir (é o mínimo que posso lhe desejar!)
ó vou deixar logo meu abraço, pois não sei se o verei (provavelmente não) amanhã.
então feliz aniversário antecipado
feliz dia das crianças
abraços, inté!
____________________________________________________________________
E esse texto-homenagem emocionante de: hiaygni guimarães. Um moço que vive em círculos de leitura e poesia, e rodas de amigos em comum. E que me chama de escritor! Vejam só, escritor. Obrigado pelo carinho!
Ele e o Mundo
A noite chegou,e com ela minha inspiração.Hoje não sabia sobre o que escrever,meu corpo freneticamente mandava sinais e eu não consegui entender o motivo.Peguei o papel,fiz rabiscos,aquele sentimento não costuma ser com o que escrevo,era maior,explodia de informações e não acreditava no que estava acontecendo,uma Boreal novamente surgia,Denomino de Boreal tudo que costumo escrever sobre autores que gosto,e o último foi a muito tempo.
Animei-me, mas como eu saberia de quem se tratava?Então aos poucos a alegria daquele ser bateu em minha porta, sim, eu já sabia de quem se tratava. Raimundo Neto!Preciso falar algo mais?Não. Eu sei que as lembranças que todos carregam em seus corações do mesmo falam por si só. Até nas datas mais inesquecíveis da minha vida atualmente ele esteve. O conheci dia 30 de Agosto, camisa preta, pólo cinza, seu jeito despojado de ser o torna elegante,como pode isso?Como já falei não me perguntem, ele fala por si só.
A primeira coisa que escutei:
“Mas porque essa demora?”
Olhei para trás e me deparei com o garoto da camisa pólo,só o vejo assim,por mais que mude,sempre será “o amigo da camisa pólo”.Naquele dia lembro que saímos,conversamos,passeamos.Foi a noite mais ou menos assim :
Eu, ele e um amigo
Tipo aquelas noites loucas da vida, que você assume todos os riscos e conhece pessoas maravilhosas porque sabe que não vai se arrepender?Foi essa a noite!E a partir desse ponto eu comecei a ver o quanto ele escrevia bem, ele não é um escritor, seria um pecado considerá-lo um mero escritor, ele é a própria poesia, o alfabeto dos sentimentos que foi dado ao mundo para mostrar as pessoas como os momentos puros ainda existem.A sua vida é um conto repleto de versos,um soneto com o melhor doce da vida,ele acredita em si mesmo,em seus ideais.Ele nunca pisará no mundo dos humanos,ele sempre será assim,o universo precisa dele assim.Um sonhador que parou no tempo e observa nossas necessidades e através do seu próprio sentimento supre as necessidades do próximo,isso acontecesse porque ele não nega amor a ninguém.O amor dele é incondicional.
Quando ele escreve,paramos,choramos, rimos... O Neto faz com que busquemos nossas lembranças, consegue transportar o passado tão pesado para um futuro cheio de esperança.Quando lemos o que ele escreve vemos um pouco de nós,a metade que falta ou o todo que se perdeu.Simplesmente conseguimos comprovar que o Amor existe de verdade.Sim Amor,com “A” maiúsculo,ele sabe disso,pois hoje e sempre ele andará de mãos atadas com as maravilhas desse sentimento tão perfeito.Ele ama o próprio amor.
O garoto da camisa pólo prefere os abismos mais altos,os sabores mais fortes,os desafios mais difíceis,e com sua caneta e um pequeno borrão ele continua a andar pelo mundo,com sua música a encantar seus ouvidos, seu all star no melhor estilo e seu intrigante e maravilhoso riso,acompanha multidões e faz com que multidões o acompanhem,planta uma árvore,escreve um verso,faz um pequeno descanso,sopra uma bolha de sabão para o mundo se tornar mais ameno,corre para a felicidade como uma criança para um pote de doces.
As pessoas tem um motivo especial para entrarem na sua vida,elas criam as melhores fotos do mundo:as lembranças.Nunca esquecerei o abraço que ganhei,ainda molhado da piscina,e ele dizia :“Vai ficar tudo bem.Eu estou aqui!”
E a partir daquele momento eu estava praticamente protegido por um desconhecido,então descobri o valor da intensidade das coisas,apostar no que o mundo lhe presenteia.E ganhei você como presente.
Todos os dias eu dou conselhos as pessoas,o de hoje é simples:
PARA QUEM ANIVERSARIA NO DIA 08.10. E PRECISA ACREDITAR OUTRA VEZ NO AMOR HONESTO.
"Como um anjo, o amor paira sobre todas as coisas?”
Pag. 88 Um certo rumor de asas, Walther Moreira-Santos.
“Vinícius concordaria com Laura: o inferno é uma situação insuportável e inflexível: o que não muda: o amor que não ama, a paixão que não beija. Seja ela qual for. O inferno é o que não se move. O inferno é a dor imóvel.” Um certo rumor de asas, Walther Moreira-Santos Pag. 72
O Déjà Vu nosso de todo dia
O FIM E O PASSADO:
O último toque que anestesiou meu rosto com candura não se deteve mais que treze dias na persistência do movimento. Foi numa sexta-feira-treze. E não existe mais. Jason teria sido mais cauteloso ao arrancar os detalhes vivos de tantos afetos confiantes num futuro a dois que vivia no meu coração disponível. E não existe mais. Os monstros se confundiram com o passado. São as sombras que habitam lugares estranhos que não visito mais.
O MEIO E O PRESENTE:
Agora eu investigo as linhas da vida, do coração cheio de fogo e detalhes perolados de um toque recente. Meu rosto, quando alegre, o sorriso estendido, os olhos gargalhando (derramando satisfação que é tudo menos grosseiro fingimento), cabem inteiramente nas vielas asseadas daquela palma que tenta aprender a proteger meu amor com decência.
Tem cheiro de almíscar, suor digno, paixão-canela, capim verde e páginas antigas de Vinícius de Moraes e Florbela Espanca, vestidos de uma paixão sincera e de coragem cristalina. O calor que eu vejo em seus abraços é acolhedor; dá pra sentir a substância de algo bom prestes a explodir, chamo de calor visível o que gostaria que fosse amor possível. Mesmo que sua raiva venha por vezes e vezes me fazer padecer, quando não houver motivos, e os desentendimentos se transformarem no fim de quase tudo, mesmo assim ainda será um calor prestes a ser revigorado.
Meus olhos dormem cobertos com seda e pele, e o toque mantém em calmaria minha insegurança, cujas ondas soltas ainda causam danos, esculpem castelos surreais, abismos urgentes, momentos entendidos importantes apenas quando lavados com as águas de uma busca e uma fé em algo inexplicável que parecia impossível. Uma nau de carne viva e dois tripulantes envolvidos.
O COMEÇO E O FUTURO:
Duas procuras usando salva-vidas.
Um encontro na mesma medida. E eu quero a densidade, os núcleos de amor de uma vida inteira, o sol fugindo do quarto que limpará nosso sossego da discórdia e da imaturidade, os filmes que nos farão únicos, a inveja dos fulanos que nos acharão exagerados por muito tempo, sangrando, coagulados na intensidade de um amor rápido demais numa sociedade que espera que amar torne-se um querer pequeno que só cabe na palma da mão.
Deslize o polegar logo abaixo dos olhos, nesse caminho que as lágrimas deixaram um rastro de mágoa, nesse percurso marcado de amores inexpressivos, e sinalize pra mim que é algo grande grande GRANDE quase maior que eu ou você, e que se diminuir para os outros, ainda continuará imenso e fixo e espontaneamente espantoso, mesmo que separados.
(É só quando fecho os olhos que consigo guardar você comigo).
Você pode até decidir, num piscar de olhos, apagar como tudo começou, cheio de poucos dedos (nossos mindinhos namorando discretos por mesas de bar e em ambientes opressivos), que a vida será mais saudável sem nós dois, mas isso não vai nos matar.
Um jardim inteiro em nós pode morrer; as flores que você me emprestou para cuidar continuarão cheias de sua bondade, os carinhos rosados que você me ensinou a domesticar irão persistir, borboletas voarão para longe e perderão o pó de suas cores no longo percurso do amor que não quer terminar; as raízes das nossas certezas de que seria até o final de nossas vidas não apodrecerão, continuarão intactas, robustas, e outras flores, que você não reconhecerá, apenas aprenderão a brotar. Porque farei nascer flores de sangue, com espinhos e seiva escura, em terra infértil, se isso tudo acabar agora.
Lamentarei quando a lua quiser, com sua língua prateada, limpar meu sofrimento. Se o fim chegar.
Lamentarei ao precisar de teus cuidados com meus modos de te querer para sempre. Se eu tiver que começar outra vez sozinho.
Lamentarei, sem súplicas – nublarei minha consciência para não te enxergar inovando nos carinhos e se reinventando em dias diferentes dos nossos, todas as emoções que aprendi a sintonizar contigo entrarão em coma, viverão escondidas, até o próximo encontro - quando te vir ensolarado buscando um céu enfim azul, amplo e receptivo, com estradas lácteas num universo livre de sentimentos tempestivos como os meus. Porque somos a mesma tempestade; sei ser relâmpagos para assustar homens e mulheres receosos de grandes amores; e você encontra-se nos rumores dos trovões que sempre apreciei, e faz minha terra tremer, me deixando inapto para ouvir outros sofrimentos que não sejam os seus.
Chovemos com a mesma aflição.
Qualquer lágrima sua é a torrente que me apazigua. Consigo respirar no aguaceiro da sua paixão.
Não caberão mais em mim, sozinhos, os afetos que geramos, se isso continuar a crescer. Preciso de você agora para aumentar nossos espaços. Vamos inventar nossa morada. Substituir os conteúdos repetidos por novidades: declarações às duas da madrugada, estrelas depois do almoço e sushi no café-da-manhã.
Não é estrabismo o que reside em teu olhar, é o desconcerto para o amor, seu jeito de não se entregar por completo. Não é o peso das tristezas passadas que enfeita teu olho esquerdo, mas o receio de aceitar a entrega absoluta, de deixar aflorar o amor em sua imensidão e deixá-lo escorrer para fora de si e sujar-se com qualquer outro homem que não entenda de compromisso e planos compartilhados.
Eu estou aqui.
Posso fechar o olho esquerdo em consonância com tuas necessidades, assanhar meus cabelos para não te deixar sozinho no desalinho, esperar um de meus pés se ferirem com naturezas estranhas, então adotar o teu caminhar comprometido, arrastando tuas faltas rumo às minhas, por essa estrada comprida, e me tornar: o apoio para qualquer dor, as gavetas de teus poemas de amor, o dedo certo para tuas alianças, os acentos das palavras descuidadas, o alimento que nutrirá tua semana de bons sonhos e bons pensamentos e teu corpo com saúde, teu pagamento em dias, o anteparo para teus tiros inusitados, o cortejo de tuas vaidades, a costura precisa de tuas linhas soltas, a adequação de tuas roupas cuidadas, o mel que vaza de tuas feridas limpas, as cores claras de teu rancor, o amenizador de tuas decepções antigas.
Entenda que a falha nos redime. Nos torna próximos, mas sustenta a diferença. Porque não é preciso misturar para entender. Mas, sim, separar para querer mais. E sempre.
Serei eu. Querendo você. Continuarei sendo eu querendo você. E sempre. Até você querer tanto tanto tanto.
O peso nos ombros, os passos coados que comecei a dar para trás, os olhos agitados e navegando para longe deste mar de felicidade tramada que feriam minha realidade com sal e espuma, o nervosismo da escolha contraindo os músculos da coragem, a morte espreitando o sucesso e as conquistas que me fizeram acreditar durante todos esses dias que contentamento é existir plenamente, acontecer-se dia a dia como realizador de pequenos sonhos, honesto com a própria procura, admitindo a cada minuto, recente, som sol ou sombra, a invenção de um mundo novo e de um amor que não é amor, uma família que não é família, um trabalho que é um equívoco, desejos que não morrem para a eternidade: Tudo, de tudo isso, a perda foi o único detalhe desperto que eu trouxe comigo. Quando eu resolvi dizer Não pra mim.
Para quem mora longe. E vem aqui todos os dias.
Alguém que aconteceu com Ninguém, ávidos de um desejo recém-nascido e um amor sem ironias.
Estava cansado, o corpo moído; a alma escondendo-se no interior dos ossos. Alguém adquirindo a cada minuto uma feição de homem que não pode amenizar meu desgaste, apesar da disposição. Chamava meu carinho de carência; apalpava minha alegria com as mãos estendidas que seus olhos sem culpa ofereciam, aos sábados.
A cura pela calma dos fins de tarde. Alguém animava a ressurreição da minha esperança, como eu fazia quando criança, as mãos cheias de água de açúcar, os braços docemente emporcalhados, recuperando a saúde de borboletas destruídas, caídas pelo quintal, destituídas de sua presença nínfica e mágica. Fazia-me bater as asas outra vez, deixar o rastro de pó-de-amor, era o que Alguém me permitia. Eu não precisava fingir que começava a precisar de qualquer estrutura de afeto parecido com amor.
Abraçava-me serenando; a brisa vinha do fundo da alma, das noites do seu céu da boca. Modelava meus cabelos crescidos em desalinho para me fazer mais digno, amável, com melhor aceitação nos lugares que rejeitam descompostura de amantes ávidos por exagero. Um braço sustentando minha cintura, o outro concentrado em me definir, com as provisões cuidadosas de quem quer amar, mas prefere esperar pelo próximo homem.
Não abri os olhos, não me entreguei de bandeja, mal passado e pertencido, ofegante e desmerecido. Eu que sempre começava tudo, que ligava, que mandava torpedos explosivos, que usava o bom-humor pra merecer cuidados, que forçava a entrega, que rezava para que conhecesse meus melhores poucos amigos e amigas e familiares, pois eles diriam quem realmente sou, o jeito de me dizer Coração da Minha Vida.
Não fugi. Fechei os olhos, mas não fugi. Fiquei lá. Uma intenção bem disposta. Vibrante. Fraco. Mas não voltei a abrir os olhos. Depois veio o beijo. A troca de roupas. A carona dada à minha imaginação em suas viagens para o mundo daqueles que o tiveram, e as mãos na minha perna perguntando ao meu silêncio o que estava acontecendo. Eu, gêmeo da noite, preso ao mistério de não me entender calejado; os bolsos cheios de papéis com anotações sobre minha “literatura”. Talvez fosse melhor que catar atenção no fim da festa. Um livro sobre tudo isso que nem é Isso Mesmo ficaria para sempre. O próximo tenderia à melhora. Aprenderia sobre mim, sobre colocar o sofrimento em tinta preta.
Melhor que esperar o despertar de seu querer-me pra vida toda. Pois assim devia ser. Tentar pra vida toda.
Deixe-me com meu cansaço. Agora guardo o amor também no fundo dos ossos. Para chegar até lá só enfrentando o anoitecer da minha carne, que aprendi a inventar. Isso te assusta?
Não me diga que não.
Quem saberá dizer quando Isso Tudo vai terminar. O dia inteiro vermelho e claro, como se purpurina fosse areia, e o vento, pensamentos, e o calor do amor que nunca se apaga, fazendo-me derramar as últimas gotas de satisfação inventada.
Eu poderia ter fugido da entrega, da busca recíproca, e morrido cada dia um pouco mais. Engolido calado um amor de mão única, mas que atropelava ferozmente aquela vontade preta e branca de desistir.
Mas não desisti. Fiquei lá: Entregue. Com a busca acesa.
Esperando, esperando, esperando.
Dois dias para começar o amor para sempre.
Meus sentimentos não imploram de joelhos pela tua atenção. Não sangro mais: Plantei salgueiros quase mágicos, nascidos do afeto cheio de fertilidade, que me protegerá dos ventos de tua ira pantanosa (a paixão afogando-se na desconfiança, no rio de sapos e cobras e outros bichos que você inventou pra nós), quando eu estiver desistindo sem querer fugir, e da hemorragia de um coração que perdeu por muito tempo o gosto de voltar atrás e se render mais vezes.
Não subo nas paredes e destelho toda a casa pra deixar o sol pôr fim à minha necessidade. Não mastigo mais a língua para dizer que é tudo amor, em dois dias.
Teus pés cabem em meus tênis novos. Tuas roupas só têm costura justa quando se assentam em mim e danço pra conquistar uma grande alegria que dure a noite toda.
Meus ouvidos se tornarão o aconchego dos tons médios e açucarados das tuas delicadezas bem cuidadas. Não tenho mais nos olhos aquele buraco negro imenso engolindo estrelas. Só uma noite inteira de juventude compreensiva entre os dentes.
Pedirei que tuas consequências dedilhem carinho e conquista na minha magreza mal distribuída, pra que eu possa, enfim, inventar o dia-a-dia, a toda hora, esperando a próxima música, com a intensidade do primeiro dia, porque hoje, há dois dias, a melodia ainda é de um piano bem executado, e mil violinos decentes e corajosos, numa apresentação magistral.
Dois dias.
Dois dias.
Dois dias.
Dois dias. E a vida já começou. Dirão que não. Que é mentira. Que o gosto é amargo. Que o sorriso nascendo vermelho e dourado foi pintado e arquitetado por adolescentes impulsivos. Que você vai sumir. Vai dizer Adeus sem dizer Amei, sim. Mas não. É justo que experimentemos pelo menos uma vez. E todo dia. Por nós. Por você. Por mim.
Por mais dois dias. Para sempre. Com a certeza que nunca é cedo pra muito amor.
Filho de uma Mulher-Maravilha: o exagero em carne viva: da Psicologia à Literatura: da verdade para a verdade: das ridicularias ao excesso. Desejo em carne viva e mal passada. Aceito tua busca, se entenderes o meu caminho. E-mail:raimundoneto22@hotmail.com Psicólogo Especializando Amigo Ex-paquera de quase todos e todas, E pronto pra desistir e recomeçar a qualquer momento. Estou vivo!